Riscos de comprar imóveis com dependências de empregados sem averbação

Comprar um apartamento antigo ou uma casa de vila muitas vezes envolve encontrar espaços projetados para dependências de serviço que, com o passar das décadas, foram transformados em escritórios, despensas ou até áreas gourmet. O problema surge quando essas alterações estruturais não foram devidamente registradas na prefeitura ou no cartório. O imóvel que você visita é, na prática, diferente do que consta na planta oficial da matrícula.

Imagine a seguinte situação hipotética: uma família decide adquirir um apartamento de 120 metros quadrados onde a antiga dependência de empregados, originalmente composta por um dormitório e um banheiro de serviço, foi integrada à cozinha e à área de lavanderia. O antigo banheiro foi convertido em um lavabo moderno. O proprietário atual informa que a reforma ocorreu há mais de dez anos e que "nunca houve problema" com o condomínio ou com a prefeitura.

No entanto, ao iniciar o processo de financiamento bancário, o perito da instituição financeira identifica que a metragem e a configuração interna do imóvel divergem da planta aprovada na prefeitura e da descrição constante na matrícula. Essa inconsistência documental pode travar a liberação do crédito.

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Antes de fechar negócio, considere os pontos que definem o impacto dessa falta de averbação:

A averbação é o ato de tornar pública a realidade atual da construção. Quando você compra um imóvel com uma reforma não averbada, assume o ônus de regularizar a planta perante o órgão municipal e, posteriormente, registrar essa alteração no Cartório de Registro de Imóveis. Esse processo exige, via de regra, a contratação de profissionais habilitados para assinar um novo projeto e a emissão de documentos como o Habite-se parcial ou a certidão de regularização.

Portanto, ao se deparar com dependências alteradas sem o devido registro, o risco principal não é apenas a burocracia, mas a insegurança jurídica sobre o que pode ser financiado ou comercializado. A compra torna-se, na verdade, uma aposta sobre a possibilidade de regularização futura, que dependerá integralmente das normas urbanísticas vigentes no município e das regras do condomínio. É prudente verificar junto a um profissional de arquitetura ou engenharia se a modificação feita é passível de aprovação legal antes de formalizar qualquer compromisso de compra.

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